quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Dia da Árvore! Motivos para comemorar??


No século XIX o Brasil deixou de ser colônia de Portugal e trilhou os primeiros passos de seu desenvolvimento econômico, sendo a cultura do café o destaque na época. Estimulou a construção de ferrovias, o estabelecimento de grandes propriedades monocultoras e também propiciou o nascimento de povoados que vieram a se tornar importantes cidades, especialmente na região Sudeste do País. Assim, a nação adentrou o século XX como líder na produção do café. Mas com quais consequências?

São inegáveis os benefícios econômicos estabelecidos pela cultura do café. No entanto, uma das consequências provenientes disso tudo foi o desmatamento da vegetação nativa nas regiões em que as lavouras avançavam. Tal fato não passou despercebido. Muitos foram os chamados de atenção para a devastação que já ocorria na época. Foi instaurada o Dia da Árvore, no dia 21 de setembro, pelo início da Primavera.

Esta data (o Dia da Árvore) é mais que mera data comemorativa, pois nasceu da percepção e engajamento de pessoas no início do século que se atentaram ao desenvolvimento desenfreado e à desconsideração do meio ambiente. E apesar disso, as agressões ao meio ambiente continuam, milhares de quilômetros de vegetação nativa sumiram do mapa (ver figura abaixo) e, a despeito das projeções assustadoras sobre o futuro, a situação permanece a mesma.

Mapa sobre a devastação no Brasil!!!
Devastação por todas parte.

É fato que há iniciativas, mas estas são esparsas e fragmentadas. A situação que se configura atualmente é de tal forma caótica, que medidas de proteção ao meio ambiente devem se pautar também no desenvolvimento social, o que demanda uma maior integração e (por que não dizer?) boa vontade de alguns setores da sociedade. A história continuou e mostra que as mudanças ocorridas diferem na forma, mas não na essência.

E o Dia da Árvore continua sendo comemorado. Mas o que há para comemorar e festejar? Aprovações de novos Códigos Florestais, que flexibilizam e facilitam ainda mais a vida dos antes fora da lei, que já promoviam devastações sem precedentes? A data, como tantas outras incluídas no calendário oficial, foi institucionalizada: nesse dia e nos dias próximos, realizam-se festividades, eventos, as escolas ensinam nossas crianças sobre o tema. Mas, e a potência crítica contida nas origens do evento? Perdeu-se? Essa, a meu ver, é a questão fundamental e deve servir de base para a outra questão elaborada anteriormente e que repito: o que estamos a comemorar e festejar?
motivos para não comemorar...
Será que temos o que comemorar?


Assim, a data suscita a necessidade de uma reflexão profunda sobre o que está sendo feito com nossas reservas naturais. Isso, antes de tudo, se mostra como um necessário posicionamento ético a ser tomado, uma vez que tais questões estão diretamente relacionadas com a qualidade de nossas vidas.  Tais reflexões devem mostrar, dentre outras coisas, que não somos apenas seres sociais, mas que também fazemos parte (e somos indissociáveis) de um processo delicado e grandioso que engloba a natureza e nossas relações com ela.

Fica então o desafio de resgatar a potência crítica e mobilizadora contida nas origens do Dia da Arvore. Há muitas formas pelas quais isso pode ser feito: na educação, na vontade política, na atuação de grupos que se preocupem com a problemática. O mais importante é que nos defrontemos com essas questões no dia a dia e que na tomada de consciência as ações sejam concretizadas. Priorizando-a, estaremos priorizando a nós mesmos e ao precioso dom da vida e da beleza que nos são concedidos.