terça-feira, 14 de junho de 2011

Calor pode acelerar extinção

Espécies já chegaram a seus limites




Animais e plantas podem não se desenvolver para sobreviver à ameaça da mudança do clima, diz um novo estudo da Universidade da Califórnia-Davis. Uma equipe estudou um pequeno animal marinho durante múltiplas gerações para ver se ele podia se adaptar ao aumento de temperaturas. E descobriu que o crustáceo copépode Tigriopus californicus, que é encontrado na costa oeste americana desde o Alasca até Baja California, mostrou pouca capacidade de desenvolver tolerância ao calor.

"Esta é uma questão que muitos cientistas vêm fazendo", diz Eric Sanford, co-autor do estudo. "Organismos têm a capacidade de se adaptar à mudança do clima em uma escala de décadas?" A pesquisa, publicada no  Proceedings of the Royal Society B, sugere que muitos organismos já chegaram a seus limites ambientais. O minúsculo animal foi coletado de oito locais. Com vida curta, foram colocados em laboratário, observados por dez gerações e sujeitos ao estresse do calor. Depois de examiná-los, os cientistas dizem que muitos animais já estão em seu limite ambiental e que a selação natural não necessariamente os resgatarão.

No começo, os copépode de locais diferentes mostraram pouca variabilidade na tolerância ao calor. Mas dentro destas populações, os pesquisadores aumentaram apenas meio grau centígrado durante as gerações observadas. Na maior parte dos grupos, a tolerância ao calor chegou ao limite muito antes deste ponto. Embora os copépodes sejam espalhados geograficamente, suas populações são muito isoladas, confinadas a um único afloramente rochoso, de onde as ondas os carregam entre poças, informa o Daily Mail.

"Afirma-se que espécies disseminadas têm muita capacidade genética para funcionar, mas este estudo mostra que isto pode não ser assim", afirma o co-autor Rick Grosberg. Muitas outras espécies de animais, pássaros e plantas passam pelo estresse da mudança do clima, e seus habitats também foram fragmentados pela atividade humana, acrescentou."O ponto crítico é que muitos organismos já se encontram em seus limites", diz ele, no estudo financiado pela Fundação Nacional da Ciência do EUA.

Foto: snake.eyes/Creative Commons