quarta-feira, 8 de junho de 2011

Meio ambiente: o planeta resolveu dar o troco

Passado o Dia e a Semana Mundial do Meio Ambiente, vamos retomar as atividades do blog...

e para retomar, transcrevo aqui trechos de um texto do Sakamoto, alias um excelente blog que merece ser visitado periodicamente...

05 de junho é Dia Mundial do Meio Ambiente. E a humanidade enfrenta uma das piores crises ambientais de sua história, sob risco de entrar em colapso com o esgotamento e a degradação dos recursos naturais. Os países da periferia levam a culpa pelo desequilíbrio ecológico mundial e são criticados pelo modelo de desenvolvimento que adotam, agressivo ao meio ambiente. O julgamento parte das nações ricas, as quais, por mais de dois séculos, destruíram seus patrimônios naturais e continuam poluindo. As elites dos países periféricos clamam, por sua vez, pelo direito de também poluir, a fim de poder alcançar o nível de consumo das sociedades desenvolvidas.

[...]Em meio a essa discussão, o quadro não poderia ser pior. Dentro de algumas décadas, não haverá água potável suficiente para suprir as necessidades de dois terços da população mundial – regiões metropolitanas já vivem crises de abastecimento. O efeito estufa está aumentando a temperatura global e provocando mudanças climáticas, enquanto a desertificação de áreas cultiváveis compromete a produção de alimentos. Uma nuvem de poluição paira sobre o Sudeste Asiático, levando crianças e idosos aos hospitais diariamente. Demorou, mas o planeta começa a dar o troco. Bem-feito.

[...]Nas discussões sobre meio ambiente ainda não se leva em consideração a integração entre homem e natureza. Mesmo que a criação de reservas esteja contribuindo para a preservação da fauna e da flora, estamos longe de garantir meios de sobrevivência às populações que dependem desses ecossistemas. A pobreza e a falta de perspectivas ainda levam muitas pessoas a dilapidar o patrimônio natural em busca de sustento para seus filhos, através da captura de animais silvestres no Pantanal Mato-Grossense, da coleta de palmito na Mata Atlântica ou da produção agropecuária na Amazônia.

O país possui uma das mais modernas legislações ambientais do mundo, a Lei de Crimes Ambientais, de 1998, que estipula multas de alto valor e até prisão em caso de agressão ao meio. O problema é que muitas vezes a lei é deixada de lado ou é mal aplicada por incompetência ou conivência com os infratores. Há, por exemplo, denúncias de estudos e relatórios de impacto que teriam sido comprados para facilitar a aprovação de obras pelos órgãos responsáveis. Além disso, mesmo com os avanços ao longo dos anos, entre eles a criação de um ministério dedicado apenas ao meio ambiente, o governo continua a apresentar uma contradição entre ação e discurso. De um lado, brada-se pela preservação da Amazônia, de outro financiam-se projetos que desmatam a floresta ou há relaxamento nas exigências quando existe a possibilidade de investimento estrangeiro.

Isso quando o próprio Congresso não joga as coisas boas para o ralo, como está fazendo com o Código Florestal. O que mostra que preferimos evoluir da barbárie para a decadência, sem passar pela civilização.

O debate sobre o meio ambiente emerge no século 21 como uma discussão sobre a qualidade de vida, não tratando apenas de rios poluídos e derramamento de petróleo, mas também da atual idéia de progresso – alta tecnologia aliada a uma postura consumista -, que não está conseguindo dar respostas satisfatórias à sociedade. De forma preventiva ou paliativa, haverá uma mudança no comportamento da sociedade. Faz parte dessa discussão a busca por modelos alternativos de desenvolvimento humano.

Que só serão efetivos caso não excluam a população dos benefícios trazidos pela exploração atual e futura dos recursos naturais do planeta. Ou feita às custas desta.

O texto pode ser lido na integra clicando aqui.